Angola: sonhos de uma jovem nação

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Angola: sonhos de uma jovem nação
Foto: Edvaldo Sacramento

 

(*) Claudia Correia

 Orlando Luis atua na rádio Iclesia e faz do programa “Luanda Escolar” sua trincheira de luta em defesa da educação de qualidade no município de Cazenga, província de Luanda, capital de Angola. Ana Sílvia é uma das ativistas da Associação Globo Dikulu é médica e se preocupa com as doenças que mais atingem os jovens, como as sexualmente transmissíveis, além dos altos índices de gravidez precoce. Eduardo coordena o curso de teatro infantil no Animart, um centro cultural em Cazenga e com brilho nos olhos se orgulha do talento dos jovens atores. Miguel assume a formação em artes plásticas no mesmo centro e reúne material doado e muita criatividade para produzir coletivamente quadros e esculturas em cores vivas. Manoel gerencia o Espaço Aplausos, em Sequele, um celeiro para a formação de jovens no teatro, dança, fotografia, TV, música, canto, artes plásticas e comunicação com a missão de ser uma referência no movimento cultural do país. Gabriel traduz no piano e na voz potente os frutos que o projeto social pode colher para o desenvolvimento sócio econômico e cultural de um país em permanente reconstrução.

Como esses personagens contracenam e tecem juntos a trajetória da juventude angolana? Que histórias reconstroem nesse contexto? Que sonhos vivenciam com resiliência num cenário adverso e tão desafiador?

Essas questões inquietam os que assistem os espetáculos e as “performances” artísticas desses jovens, expressões de resistência cultural e de afirmação de identidade étnica.

Angola é um país jovem e guarda uma rica cultura secular. Com 28,81 milhões de habitantes, a faixa etária de 0 a 24 anos representa 65% da população residente. O sentimento que tive, em breve e recente visita a Luanda é que a juventude assumiu com determinação os rumos de uma nova história política, num território palco de tantos conflitos. Os jovens apostam na esperança por oportunidades de trabalho e renda e reivindicam protagonismo. A cultura da paz parece inspirar todas as manifestações artísticas que vi e um patriotismo cidadão fica evidente.

Tudo que os jovens angolanos buscam os desafiam a aprender com o passado, dialogar com as tradições ancestrais compreendendo o presente, mas sempre de olho no futuro. Com o uso da arte educação como instrumento de afirmação da identidade cultural eles vão trilhando, com dificuldades, novos caminhos na direção da autonomia econômica e do protagonismo político. Tudo que vi e ouvi fruto desse ideal rimou com liberdade, resistência, coragem. São atores sociais com enorme potencial criativo, abertos à troca de saberes, às novas tecnologias.

Se por um lado o país viveu tempos de guerra para conquistar a liberdade frente ao domínio colonizador e o equilíbrio das forças políticas internas, no cenário contemporâneo Angola ainda é um diamante bruto, ciente de seu valor, atenta aos interesses econômicos que envolvem seus recursos. Tudo no país está sempre em (re)construção e sua juventude pulsa, vibra, aprende para transformar e nos ensina a seguir em busca da liberdade, da Justiça Social e da paz.

Salve Angola!

 

(*) Professora universitária, assistente social, jornalista, Mestra em Planejamento Urbano (UFRJ) e integrou a comitiva de baianos que visitou Luanda em fevereiro de 2018.

ccorreia6@yahoo.com.br