Conheça a confraternização africana – Kwanza

Conheça a confraternização africana Kwanza
Foto Divulgação

Kwanzaa, uma espécie de confraternização africana milenar, resignificada pelo Dr. Maulana Ron Karenga, criador da organização panafricaista  United Slaves ( Escravos Unidos ) nos Estados Unidos.  O Dr. Ron Karenga, conhecido também com Ron “Maulana” Everett”, em Kiswahili foi o primeiro preto a estudar na Universidade da Califórnia, onde aconteceu realização da primeira Kwanza no ano de 1966.

Karenga afirma que a celeração do Kwanza não é uma substituição a feriados religiosos e sim um momento em que os pretos e pretas possam comemorar a semelhança de como faziam nossos ancestrais, antes de serem seqüestrados pelos europeus caucasianos.

Kwanzaa é uma celebração panafricanista  com foco nos valores ancestrais e culturais africanos, com foco na (r)estruturação da família preta,  na responsabilidade comunitária e espiritual e enfoque na autonomia política e econômica.  Não é um feriado político, ou religioso, mas um momento de celebração do povo preto ao redor do mundo que visa resgatar/reconstruir nossa humanidade dilacerada pela escravidão, colonialismo e racismo. A palavra é derivada da frase em Kiswahili ‘Kwanza do Ya Matunda’, que significa ‘Primeiros Frutos da Terra’, fazendo menção a celebração das primeiras colheitas que eram feitas por diversos povos africanos. .

A kwanzaa é celebrada a  partir do dia 26 de dezembro até o dia 01 de janeiro, sendo cada um dos dias relacionado  a um princípio diferente “Nguzo Saba”, ou seja, os setes princípios. Os sete dias de celebração são:

 


UMOJA – Significa unidade, e representa manutenção da unidade na família, na comunidade, na nação e na raça.

 


KUJICHAGULIA – Significa Autodeterminação, representa os valores de determinação que o povo preto deve apresentar para resolver as questões que nos afligem.


UJIMA – Significa Trabalho Coletivo e Responsabilidade, Construção conjunta e manutenção da nossa comunidade unida para fazer nossos problemas da irmã e dos irmãos nossos problemas e para resolvê-los junto.

UJAMAA – Significa Economia cooperativa, para construir e manter nossas próprias lojas, supermercados e outros negócios e para comercializar junto com nossos irmãos e irmãs pretas.

NIA – Significa Finalidade, almeja a construção do coletivo e tornar-se de nossa comunidade a fim restaurar nossos povos a sua grandeza outrora tradicional.


KUUMBA – Significa Criatividade, tem por objetivo fazer sempre quanto nós pensemos ser necessário, a nossa maneira, a fim deixar nossa comunidade mais bela e benéfica do que quando nós a herdamos, sempre buscando a melhoria do povo preto.


IMANI – Significa Fé, para acreditar com nossos corações em nosso povo preto, nossos pais, nossos professores, nossos líderes e a vitória de nosso esforço.

As celebrações do Kwanzaa estão recheadas de simbolismos especiais. A esteira (Mkeka ) posta sobre a mesa significa a fundação histórica dos ancestrais africanos , acima dele fica o candelabro de sete braços (Kinara), as frutas, verduras e plantas de origem africana colocadas em cima da mesa (Mazao), junto com as sete velas que representam as virtudes do Kwanzaa – uma preta, três vermelhas e três verdes  (Mishumaa Saba). As espigas de milho (Muhindi) representam a continuidade do povo através das crianças, a taça (Kikombe cha Umoja) posta representa a unidade familiar e comunitária e os livros a nossa história. Por fim, a Bandeira RBG (RED BLACK GREEN)  simbolo do nacionalismo preto, da concepção panafricanista de mundo, sendo que o vermelho representa o sangue do nosso povo através das lutas e sobrevivências históricas, o preto representa a cor da nossa pela, nos unindo por um tronco ancestral comum e o verde toda nossa riqueza oriunda da terra.

Em Salvador, acerca de 10 anos atrás, um grupo de panafricanista, sob a liderança do professor, poeta e militante do movimento preto Walter Passos,  começou a celebrar Kwanzaa e a projetá-la como um movimento de caráter político a ser celebrado por pessoas pretas do Brasil inteiro.  Em  São Paulo, a UCPA (União dos Coletivos Pan Africanistas ) também realiza suas celebrações de Kwanzaa, conclamando as pessoas pretas a assumir a identidade africana,  o pertencimento africano e a luta contra o racismo e neo colonialismo.

 

 

Por THEMBI SEKOU OKWUI
José Raimundo

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