Escritora angolana, Zulinni Bumba, em entrevista exclusiva!

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Escritora Zulinni Bumba | Foto: Claúdia Correia

“…É uma luta constante que a mulher angolana faz, alguns homens ainda acham que o lugar da mulher é na cozinha” (Zulinni Bumba)

Escritora Zulinni Bumba | Foto: Claúdia Correia

Zulinni Bumba, é o pseudônimo literário de Madalena Suzete Paulo Manuel Bumba, natural de Luanda, capital de Angola, distrito de Ingombota. O gosto pela escrita começou aos 12 anos na República Democrática do Congo, onde participou da Escola Bíblica de Férias-EBF através da Igreja Metodista Unida, da comunidade de angolanos naquele país. Entre 2008 e 2012 participou das eleições gerais de Angola como membro observadora. Foi Vice Presidente do Conselho Nacional da Juventude, onde liderou a delegação de jovens angolanos na Conferência das Nações Unidas Rio + 20, no Brasil em junho de 2012. É membro da Brigada Jovem de Literatura de Angola.

Como escritora de Literatura Infanto Juvenil em 2012 ganhou o Prêmio Literário Jardim do Livro Infantil, com a obra “O aniversário do Rei Leão”, seu primeiro livro. Zulinni Bumba também se dedica a fazer poesia e declamar em eventos públicos, por isso ganhou em 1994 o 1º Prêmio de Poesia, dedicado a cidade satélite de Viana, realizado pela Rádio Viana. Ela já atuou em diversos eventos com destaque para as Primeiras Damas da SADAC em 2011 e no Congresso da Organização das Mulheres Angolanas – OMA em Luanda, em fevereiro de 2016, além de programas de rádio e televisão. Fez curso de Jornalismo na Casa da Juventude de Viana, ministrado pela Plataforma Jovens Jornalistas Angolanos-PLAJJOA.

Ela possui sete obras publicadas que abordam a preservação ambiental, elementos da cultura angolana, a amizade e natureza. Dentre os livros divulgados em escolas angolanas estão “O menino Kulombo e os dois lenhadores” (2014) e “Despique na natureza” (2016). Estão para ser publicados os livros “O sonho da menina Kukina” e “A Botinha fofinha da Totinha”.

Em entrevista exclusiva à jornalista Claudia Correia(CC) para a Revista Quilombo, em Luanda, Zulinni Bumba(ZB) fala de sua trajetória e de seus sonhos.

CC: Como seu trabalho na literatura contribui para afirmar a identidade cultural no seu país?

ZB: O meu trabalho enquanto escritora contribui muito porque eu tenho desenvolvido grandemente as minhas atividades a nível das escolas, de várias outras instituições e também estou a internacionalizar minha obra, tendo tido muito boa aceitação consoante aquilo que tenho estado a fazer. Penso que isto é positivo porque quando o nosso trabalho é reconhecido vemos que afinal não é em vão e isso também é motivo de muita responsabilidade porque não podemos ficar só nessa ilusão de termos um trabalho reconhecido, mas também continuarmos sempre a investigar, investir cada vez mais e fazer coisas melhores que possam ser motivo de interesse para as pessoas.

Eu também já ganhei um Prêmio Nacional de Literatura Infantil em 2012, que por sinal foi meu primeiro livro. Naquela altura eu só escrevia para adultos, eu escrevia poemas porque também sou poetisa, declamadora. Mas, a partir do momento que eu comecei a escrever para crianças, independente de receber prêmio, já não parei mais. Eu acho que o mundo da literatura infantil é um mundo próprio para nadar sem se afogar, eu me sinto muito encantada e apaixonada mesmo por ele.

É uma mais valia saber que meu trabalho estar a ser reconhecido a nível nacional e também internacional e vou continuar a fazer isso, dar meu máximo, meu contributo à cultura de meu país. Eu luto para ser essa mulher escritora, a ser considerada por todos.

 

CC: Como você analisa a condição da mulher angolana no contexto do país?

ZB: As mulheres angolanas tem encarado os desafios de diversas formas, apesar de que a igualdade de gêneros já se faz sentir mas ainda há algumas questões que precisam ser tidas em consideração. Porque na verdade alguns homens ainda acham que o lugar da mulher é na cozinha e quando veem uma mulher ascender em cargos relevantes os homens sentem-se intimidados. Então, penso que é uma luta constante que a mulher angolana tem estado a fazer para mudar esse quadro e é preciso cada vez mais ir à luta, ver que tanto o homem como a mulher tem capacidades, que cada um pode dar o seu melhor, o seu contributo na sociedade.

 

CC: O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, se aproxima, que mensagem você envia para as mulheres brasileiras?

ZB: A mensagem que deixo para todas as mulheres brasileiras, especialmente as da raça negra, é que continuem lutar por seus direitos e venham a saber que cada uma delas tem seu real valor e que pode dar o seu contributo na sociedade. Doravante acredito que as coisas possam melhorar cada vez mais naquilo que são as políticas para a igualdade de gênero. Sabemos que ainda temos uma sociedade um bocado machista, que não acredita muito no poder das mulheres, mas eu acredito que com a nossa força interior, a nossa capacidade, enfim é um desafio muito grande que nós temos que ter em conta e é preciso acreditarmos na nossa capacidade.