EU SOU QUILOMBO: Ailton Ferreira

O 20 de novembro marcou o inicio da semana em que você conhecerá sobre algumas lideranças do Movimento Negro da Bahia, através da campanha #EuSouQuilombo. Agora, é a ver do Ex- Secretário Municipal da Separação (SEMUR) e Ex- presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Ailton Ferreira. 

 

EU SOU QUILOMO: Ailton Ferreira
Foto Divulgação

Membro da Irmandade da Rosário dos Pretos e Ogã confirmado do Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó, um dos mais antigos e tradicionais terreiros de candomblé da Bahia, popularmente conhecido como Casa de Oxumaré, o ex- secretário municipal da Reparação, Ailton Ferreira, começou sua militância em 1979 na associação de bairro da Fazenda Grande do Retiro, onde participou da Federação das Associações de Bairros de Salvador (FABES) que aglutinava 350 associações de bairros das periferias da cidade.

Ailton aprendeu política com o seu pai e com sua mãe aprendeu valores que considera indispensáveis à construção do seu caráter. No entanto, outras pessoas compuseram a história desse ativista, que ainda muito jovem imergiu no mundo da leitura apresentada pelo vizinho e professor autodidata, que reunia mais de 2.000 obras em uma biblioteca particular. O temperamento tranquilo e a dedicação aos estudos potencializavam as leituras negras, mas não o afastaram do entendimento de que a vida também é feita do quintal de casa, dos becos e dos movimentos das ruas, onde todas as pessoas se misturam.

Orientado por Manuel Cruz e Lino de Almeida aprendia e discutia o papel do negro dentro dos partidos políticos, que não oportunizavam na mesma medida homens e mulheres negras para serem votados em espaços de poder dentro.  Com isso, chega ao Partido Democrático Trabalhista e pontua com orgulho o PDT como primeiro partido brasileiro a incluir a questão racial e indígena nos estatuto;  primeiro partido a eleger um senador negro (Abdias do Nascimento); dois governadores negros no Brasil, prefeitos e o deputado federal Cacique Juruna.

Em 1988, se candidatou a vereador na cidade de Salvador, junto com Vovô do Ilê Aiyê e Lino de Almeida, criando uma frente negra dentro do PDT e um comitê negro no bairro da Liberdade coordenado por Cátia Melo, uma das fundadoras da escola criativa do bloco afro Olodum.  Essa movimentação se dava por já compreenderem que tanto nos partidos de direita, quanto nos de esquerda os negros não tinham espaços de direção e não alcançavam postos maiores do que a mobilização de pessoas para atividades. Era, então, a hora de tentar provocar mudanças.

O tempo passou e as perspectivas de luta se ampliaram. Hoje, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), continua envolvido na política, sendo uma referência respeitada quanto aos debates das questões raciais no estado da Bahia. É assessor na Secretaria de Promoção da Igualdade (SEPROMI) e circula pela diversidade do movimento negro com o título maior de ser uma liderança carismática e colaboradora de conquistas e avanços para a população afrodescendente.

SER QUILOMBO

“Sou Quilombo pela seriedade da proposta, das matérias e pela profundidade e jovialidade do projeto que se desenvolve sem ser uma produção panfletária e superficial.

Sou Quilombo por esse movimento ter a capacidade de entender os momentos, o seu lugar e, principalmente, por entender que, antes disso, houve outros e que não fazemos nada só.  Gosto de lembrar que nós não nos bastamos e temos que estar nas bases escutando e articulando pessoas, mas entendendo também que a lança de hoje é a internet, o facebook e a tecnologia, que a espada é a nossa capacidade de diálogo, que nossas mãos devem convocar para o exercício ético da transformação. Por isso, desejo vida longa à nossa revista! E que sejamos o Zumbi ou a Dandara do nosso tempo!

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