Articulação do Movimento de Mulheres Negras organiza Ato no 25 de Julho

Movimento de Mulheres Negras Dandara do Sisal será lançado em Serrinha
Foto Divulgação

No Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha, próxima terça-feira (25), o Movimento de Mulheres Negras da Bahia organiza ato público “Pela Vida das Mulheres Negras”, destacando a necessidade de mais ações coletivas e políticas públicas que visem o enfrentamento da violência recorrente e sistemática contra mulheres e meninas negras.

O 25 de Julho foi estabelecido durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, realizado em 1992, em Santo Domingo (República Dominicana) e celebra as contribuições políticas, intelectuais, econômicas e socioculturais das mulheres negras para o desenvolvimento histórico do continente e reafirma a luta contra a violação de direitos.

A articulação das feministas negras, este ano, se organiza para ocupar a região do “Iguatemi” e convoca toda a população a refletir sobre a vida das mulheres negras, que figuram altos índices de violências e mortalidade. O número de casos de feminicídios envolvendo estas mulheres aumentou 54%, estatística que denuncia o quadro dramático vivido no Brasil, segundo Mapa da Violência (2015). Para dar visibilidade a esses e outros dados, os coletivos envolvidos na construção do Julho das Pretas, resolveram organizar um ato público onde os homens também possam ver, ouvir e refletir sobre as pautas feministas.

O Julho das Pretas e o Movimento Social

O Julho das Pretas é uma agenda unificada de ações do movimento de mulheres negras de diversos estados, em comemoração ao mês da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha. Na Bahia, esta agenda é impulsionada pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, liderado pela ativista Valdecir Nascimento. A agenda chega a sua 5ª edição legitimada pelo movimento social e com mais de 40 atividades propostas por mulheres e coletivos de mulheres negras na Bahia. O Julho contempla atividades distribuídas em territórios quilombolas e nas cidades do interior, que esse ano teve como grande marco o lançamento do coletivo Dandara do Cisal no município de Serrinha.

Articulação do Movimento de Mulheres Negras organiza Ato no 25 de Julho
Dayse Sacramento, Cleuza Juriti e Lindinalva de Paula

As dandaras do Cisal’ ocuparam o campus XI da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) com o carimbó apresentado pelas meninas do Quilombo do Curralinho e estabeleceu o marco da rearticulação feminista negra na cidade. No lançamento, o discurso defendido era de que “O empoderamento da mulher negra não se dará de forma que não seja pela coletividade”, pontuou Cleusa Juriti integrante do coletivo.  Para ela, “A força ancestral nos trouxe até aqui e se a revolução for feita no Brasil será feita pelas mãos das mulheres”, defendeu a ativista.

Outro coletivo que também surge impulsionado pelo Julho e que será lançado próxima sexta (28) é o Coletivo de Mulheres Negras Abayomi. Para Lindinalva de Paula, da Rede de Mulheres Negras da Bahia e que também integra o novo coletivo, “o crescimento desses agrupamentos mostra o quanto as mulheres negras estão em diversas frentes de luta, enriquecendo a discussão do movimento negro na Bahia e evidenciando a discussão do feminismo negro, que tem pautado o direito à vida. Estamos exigindo que parem de nos matar”.

Destaque na agenda deste ano, o ‘Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras’, idealizado pela professora Dayse Sacramento,  lotou o Espaço Cultural da Barroquinha. A atividade é resultado de um projeto de pesquisa em Literatura, desenvolvido no IFBA, que se propôs a criar uma cena de debates e reflexões sobre a violência contra as mulheres negras, aliada a uma ótica das insubmissões destas mulheres que entrecortam as narrativas dos contos do livro Insubmissas lágrimas de mulheres, da autora Conceição Evaristo, convidada especial  para  encerrar o ciclo de debates programado para invadir o mês de agosto.

Segundo Dayse, “Os Diálogos Insubmissos conseguiu agregar cerca de 800 pessoas nos três encontros realizados até agora. Para além do debate acadêmico, o projeto procurou apresenta valores caros às mulheres negras como a afetividade, então desde o principio pensamos em acomodar esses conhecimentos que produzimos em outros pilares. O sucesso dessa atividade no Julho das Pretas é em decorrência da carência do debate que nós propomos”, concluiu.

O ápice da agenda, dia 25, apresenta o Ato Público pela manhã e a conferência da ativista Ângela Davis no Salão Nobre da Universidade Federal da Bahia à noite. São os dois momentos que prometem a grande aglutinação de protestos, debates e encontros da pluralidade de coletivos e de mulheres negras na capital.

A UFBA, que já entende a ampla participação das mulheres negras na agenda, prevê que conferência de Davis deve ultrapassar a capacidade de acolhimento da instituição. De modo que, além dos 400 lugares no salão, estarão disponíveis mais 292 assentos no auditório do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFBA) e mais 127 no Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, ambos localizados nas proximidades da Reitoria no Canela, com transmissão ao vivo da TVE e Web TV UFBA

 

SERVIÇO:

* ATO PÚBLICO “PELA VIDA DAS MULHERES NEGRAS”
QUANDO: 25 DE JULHO ÀS 8H
ONDE: FRENTE DO SHOPPING DA BAHIA

*LANÇAMENTO DO COLETIVO ABAYOMI
QUANDO: 28 DE JULHO ÀS 18H
ONDE: CASA DE ANGOLA (BX. SAPATEIROS)

*ENCERRAMENTO DIÁLOGOS INSUBMISSOS DE MULHERES NEGRAS
QUANDO: 11 DE AGOSTO ÀS 17H
ONDE:  CENTRO CULTURAL DA CÂMARA MUNICIPAL DE SALVADOR