Ativistas convocam a população de Salvador para ato em memória de Marielle Franco

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Ativistas convocam a população de Salvador para ato em memória de Marielle Franco
Foto Divulgação
Ativistas convocam a população de Salvador para ato em memória de Marielle Franco
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Ativistas de Salvador convocam a população para ato em memória da vereadora Marielle Franco (PSol – RJ), às 18h no Terreiro de Jesus (Pelourinho). Hoje, diversas cidades brasileiras também protestarão para lembrar o sétimo dia dos assassinatos da vereadora e de Anderson Gomes, motorista.

O ato convocada por diversas organizações da sociedade civil se iniciará com uma celebração inter-religiosa na frente da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Sobre o Caso – Marielle e Anderson foram executados na última quarta-feira (14), na cidade do Rio de Janeiro. A vereadora, uma mulher negra da Comunidade da Maré, era referência na luta por direitos humanos e denunciava com frequência ações violentas das forças policiais na cidade e havia sido, recentemente, eleita relatora da comissão que acompanharia a intervenção militar no Rio de Janeiro.

À esquerda Dra. Dandara Pinho (OAB-BA) e à direita Dra. Laina Crisostomo (Coletivo TamoJunas e PSOL-BA)

Segundo a advogada, Laina Crisostomo, do Coletivo Tamo Juntas e do PSol-BA, a organização da manifestação será em memória à Marielle Franco e a outras mulheres que morreram pelas mãos do estado, pelo racismo e machismo enraizado na sociedade.  Também ativista, Laina sinaliza que a morte de Marielle é a morte simbólica de todas que estão na luta por um estado democrático.“As mulheres não devem e não vão se calar diante do medo  mesmo sabendo dos riscos que sofrem as pessoas que lutam por justiça”, afirma.

Para a advogada Dandara Pinho, presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil, a morte de Marielle ataca diretamente os 70 anos da Declaração Universal dos  Direitos Humanos e dos 30 anos da Constituição Federal Brasileira. Também ativista do movimento negro na Bahia, Dra. Dandara, acredita que “há uma tentativa muito forte de devastar e  criminalizar os movimentos sociais” e para isso leva em consideração as calúnias, injúrias e difamações desferidas contra a vereadora Marielle Franco. Dessa forma, ainda afirma  que “participar  ativamente e com a presença no ato de hoje é importante para mostrar, aos que estão ligados direta e indiretamente a esta morte -, a força que os movimentos sociais têm no Brasil, sobretudo, no atual período de golpe e intervenções militares”. 

Durante o ato, outras mulheres negras também assassinadas nos últimos anos serão homenageadas, a exemplo de Claudia Costa Ferreira, que há quatro anos foi baleada e morta após ser arrastada por um carro da Policia Militar, também na cidade do Rio de Janeiro, e Marisa Carvalho Nóbrega que foi a óbito, após receber uma coronhada de fuzil na cabeça por um policial militar do Bope/RJ.

Na contramão do silêncio, Salvador “abraça” o Rio de Janeiro e faz adesão aos vários movimentos espalhados no país, que hoje às 18 horas estarão exigindo  liberdade politica  e justiça para o caso.